Friday, August 17, 2007

Corte na taxa de redesconto dos EUA alivia todo o mundo, inclusive o Brasil

O corte na taxa de redesconto bancário de 6,25% para 5,75% ao ano, efetuada nesta manhã de sexta-feira (17) pelo Federal Reserve (banco central americano), provocu efeitos imediatos de acalmar os mercados em todo o mundo e dar um alívio na crise financeira global.

O dia começou muito nervoso com queda geral nas bolsas da Ásia, mas a ação combinada entre as autoridades monetárias dos países ricos - agora via Fed - fez com que o pessimismo desse lugar à expectiva de mais liquidez e menos juros nos Estados Unidos.

Nos EUA a bolsa de NY foi lá em cima e depois fechou em alta de 1,3%, mostrando que a sinalização foi entendida - o próximo passo, em 18 de setembro, será o corte na taxa básica de juros.

A receita para a crise foi clássica: uso de instrumentos de política monetária para aumentar a liquidez no mercado doméstico e, como se trata da maior economia, internacional. Redesconto é como chamam a taxa de juros cobrada pelo Fed de bancos comerciais em emprestimos de um dia para outro para fechamento de caixa, como existe no Brasil.

Se abaixa o redesconto, os bancos têm mais liquidez, mais acesso a crédito, suportam crises localizadas etc. Trata-se de dinheiro público, mas no Brasil seria criticavel socorrer bancos como fez Pedro Malan ao criar nos anos 90 o Proer para recuperar bancos e fortalecer o sistema bancário nacional.

Após a ação de surpresa do Fed, a reação positiva foi imediata no Brasil, com as oscilações das bolsas de SP e Rio ficando menores até fechar com pequena alta, seguindo NY.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em SP que o Brasil passará “quase incólume” pela crise financeira mundial, pois está com os fundamentos sólidos e os efeitos via taxa de câmbio parecem pequenos até agora.

A expectativa dos bancos continua sendo um dólar valendo R$ 1,8 no final do ano, como estava até semana passada. Com a crise decorrente da inadimplência dos compradores de casas hipotecadas nos EUA, o dólar - como previmos aqui - foi a 1,9 e ultrapassou ontem a barreira psicológica de R$ 2.

Hoje voltou ao “normal nervoso”, podendo ficar algum tempo no patamar entre R$ 1,90 e R$ 2,10 por dólar americano.

O ministro da Fazenda acha que o Brasil tem um sistema financeiro sólido, que não se meteu com papéis podres do mercado de crédito imobiliário americano - “nem precisavam, pois aqui têm mais segurança e rendimento muito maior” - e poderá sair ainda mais valorizado do lado de lá.

Mantega acha que o Brasil sai do lado de lá sofrendo pouco impacto (sobre o câmbio, as importações e os preços internos)  e “sem ter afetado o crescimento econômico”.

A previsão de economistas independentes como Affonso Celso Pastore (ex-presidente do Banco Central) é de um crescimento do PIB este ano um pouquinho acima de 5%.

Agora, resta saber como vão reagir os asiáticos na reabertura dos negócios na segunda-feira (equivalente a domingo a noite aqui).

Até lá, a única certeza é que a instabilidade vai durar ainda vários meses e ninguém sabe como terminará, pois não sabemos onde estáo os papéis podres do sistema de credito imobiliario dos EUA (e quem sabe de outros países).

Pelo menos temos a certeza de que as autoridades monetárias do capitalismo global estão atentas e preparadas.

 

Posted by Joao Arnolfo at 19:25:58 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, July 24, 2007

ECONOMIA BRASILEIRA PODE CRESCER 5% ESTE ANO, 6% EM 2008 E 7% EM 2010

Independente do que acham analistas de plantão, colegas economistas e jornalistas de economia, à primeira vista nos parece que há condições objetivas internas e externas para ocorrer uma sequência de taxas anuais de crescimento do PIB brasileiro ascendentes.

Algo, digamos, começando por exemplo com uns 5% este ano, cerca de 6% em 2008, talvez 6,5% em 2009 e estabilizando em novo patamar mais elevado na casa de 7% em 2010.

Ana de eleição presidencial…

Bom, deixemos de lado estes assuntos chatos de economia.

Sempre é emocionante, desde que foi inventado, um blog novo entrar no ar - e só entra, você blogueir@ sabe como: quando se faz uma primeira postagem, como a que se segue.

O objetivo estratégico deste site  nós sabemos - mas os passos para chegar até lá serão descobertos junto com você, usuári@ no dia-a-dia de dados, indicadores e análises econômicas.

Portanto, vá lá o resumo não autorizado das noticias econômicas deste 24 de julho de 2007, feita pelos colegas jornalistas Renato Riella e Roberto Sávio:

 DINHEIRO SOBRANDO

Ficou confirmado que a arrecadação federal terá cerca de R$ 8,7 bilhões a mais do que o previsto este ano.

Diante disso, o governo anunciou a liberação de R$ 6,8 bilhões do Orçamento, que antes havia sido contingenciado em R$ 16,4 bilhões.

Até maio, o Brasil já havia cumprido 73% da sua meta de superávit primário, o que dá folga para algum tipo de investimento. A meta total era de R$ 53 bilhões. 

Mas vai ser uma guerra para definir os setores que receberão mais dinheiro, sem contar a pressão dos parlamentares para viabilizar suas emendas.

De qualquer maneira, é uma disputa gostosa, de barriga cheia. (?)

A maior parte dos R$ 6,8 bilhões irá para o Ministério dos Transportes (R$ 2,1 bilhões), provavelmente porque o governo percebe que, com a crise aérea, este setor terá maior demanda.

R$ 1,6 bilhão para Ministério das Cidades e R$ 824 milhões para Saúde. 
 
 

PIB EM ALTA

Novos cálculos do Ministério do Planejamento já prevêem um crescimento do PIB brasileiro este ano na faixa dos 4,7%.

Em meio a tanto noticiário negativo, esta notícia não teve destaque, mas é muito boa, superando a previsão anterior, de 4,5%. 

O relatório Focus do Banco Central também cresceu a sua previsão para o PIB, passando de 4,39% para 4,5%.

O comércio, a indústria e as vendas estão melhores, levando a esse otimismo. 

Se não fossem os escândalos e a incompetência administrativa do governo na administração do caos aéreo, o Brasil estaria vivendo momento de euforia, inclusive porque, usando o refrão em desuso do presidente Lula, nunca se viu um desempenho brasileiro tão bom no Pan como o atual.

Mas infelizmente o sangue de 200 inocentes não se permite que se comemore nada neste momento. 
 

ZPEs COM VETOS

O presidente Lula sancionou a lei que cria as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), com 19 vetos.

Como há muitos interesses regionais envolvidos, esses vetos exigirão ampla negociação com setores do Senado e da Câmara Federal. 


INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

O montante de R$ 10,3 bilhões foi atingido em junho, no investimento direto de estrangeiros no Brasil.

Recursos direcionados à produção, neste momento, são dez vezes maiores do que os registrados no ano passado, o que é compreensível, quando o país mantém um risco-Brasil na faixa dos 160 pontos, com valorização permanente do real.  
 

LÁ VAI O DÓLAR

Permanece a pergunta: onde fica o piso do dólar?

Ontem, alcançou valor só visto em outubro de 2000, fechando a R$ 1,842. 
 

GAUTAMA SEM CONTRATOS

Controladoria-Geral da República fez o que se esperava: considerou a construtora Gautama inabilitada para participar de licitações públicas.

Resta saber se a Justiça não modifica essa decisão, o que seria trágico.” 


 

Posted by Joao Arnolfo at 21:39:07 | Permalink | No Comments »