Corte na taxa de redesconto dos EUA alivia todo o mundo, inclusive o Brasil
O corte na taxa de redesconto bancário de 6,25% para 5,75% ao ano, efetuada nesta manhã de sexta-feira (17) pelo Federal Reserve (banco central americano), provocu efeitos imediatos de acalmar os mercados em todo o mundo e dar um alívio na crise financeira global.
O dia começou muito nervoso com queda geral nas bolsas da Ásia, mas a ação combinada entre as autoridades monetárias dos países ricos - agora via Fed - fez com que o pessimismo desse lugar à expectiva de mais liquidez e menos juros nos Estados Unidos.
Nos EUA a bolsa de NY foi lá em cima e depois fechou em alta de 1,3%, mostrando que a sinalização foi entendida - o próximo passo, em 18 de setembro, será o corte na taxa básica de juros.
A receita para a crise foi clássica: uso de instrumentos de política monetária para aumentar a liquidez no mercado doméstico e, como se trata da maior economia, internacional. Redesconto é como chamam a taxa de juros cobrada pelo Fed de bancos comerciais em emprestimos de um dia para outro para fechamento de caixa, como existe no Brasil.
Se abaixa o redesconto, os bancos têm mais liquidez, mais acesso a crédito, suportam crises localizadas etc. Trata-se de dinheiro público, mas no Brasil seria criticavel socorrer bancos como fez Pedro Malan ao criar nos anos 90 o Proer para recuperar bancos e fortalecer o sistema bancário nacional.
Após a ação de surpresa do Fed, a reação positiva foi imediata no Brasil, com as oscilações das bolsas de SP e Rio ficando menores até fechar com pequena alta, seguindo NY.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em SP que o Brasil passará “quase incólume” pela crise financeira mundial, pois está com os fundamentos sólidos e os efeitos via taxa de câmbio parecem pequenos até agora.
A expectativa dos bancos continua sendo um dólar valendo R$ 1,8 no final do ano, como estava até semana passada. Com a crise decorrente da inadimplência dos compradores de casas hipotecadas nos EUA, o dólar - como previmos aqui - foi a 1,9 e ultrapassou ontem a barreira psicológica de R$ 2.
Hoje voltou ao “normal nervoso”, podendo ficar algum tempo no patamar entre R$ 1,90 e R$ 2,10 por dólar americano.
O ministro da Fazenda acha que o Brasil tem um sistema financeiro sólido, que não se meteu com papéis podres do mercado de crédito imobiliário americano - “nem precisavam, pois aqui têm mais segurança e rendimento muito maior” - e poderá sair ainda mais valorizado do lado de lá.
Mantega acha que o Brasil sai do lado de lá sofrendo pouco impacto (sobre o câmbio, as importações e os preços internos) e “sem ter afetado o crescimento econômico”.
A previsão de economistas independentes como Affonso Celso Pastore (ex-presidente do Banco Central) é de um crescimento do PIB este ano um pouquinho acima de 5%.
Agora, resta saber como vão reagir os asiáticos na reabertura dos negócios na segunda-feira (equivalente a domingo a noite aqui).
Até lá, a única certeza é que a instabilidade vai durar ainda vários meses e ninguém sabe como terminará, pois não sabemos onde estáo os papéis podres do sistema de credito imobiliario dos EUA (e quem sabe de outros países).
Pelo menos temos a certeza de que as autoridades monetárias do capitalismo global estão atentas e preparadas.