Thursday, September 6, 2007

Cauteloso por causa de crise externa e da pressão interna de preços, Banco Central reduz o ritmo de queda na taxa básica de juros: Copom corta apenas 0,25%

Seguindo a expectativa de praticamente todo o mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acaba de anunciar, após dois dias de reunião, mais um corte na taxa básica de juros (selic) da economia brasileira, de 0,25%.

Com isso a taxa básica usada pelos bancos para orientar suas operações cai de 11,5% para 11,25% ao ano, o nivel mais baixo desde a estabilização da economia brasileira.

O dolar teve uma pequena alta, fechando a R$ 1,97, enquanto a Bolsa de São Paulo fechou com queda de 1,53% no rastro da queda ocorrida na bolsa de Nova York.

O ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, atualmente deputado pelo PT do Estado de São Paulo, também esperava o corte de 0,25% e lembra que a confirmação desta redução no ritmo de queda nos juros básicos mostra que o país está atento à evolução da crise dos mercados imobiliários norte-americanos mas entende que possui fundamentos econômicos suficientemente bons para não interromper de vez a queda dos juros.

Há temor de uma inflação de demanda, pois alimentos e outros itens tem subido mais rapidamente nas ultimas semanas - o tomate subiu 7% ao consumidor em 30 dias.

Mas o governo não acredita em ameaça de volta da inflação - a meta deste ano, em torno de 4%, está mantida.

O que há é uma percepção de que a economia brasileira está excessivamente aquecida devido aos 18 cortes mensais de juros efeutados pelo Copom, com segurança, sem causar abalos na relação oferta/demanda.

Agora, no entando, parece que acendeu a luz amarela e o Banco Central vai manter a taxa basica em 11,25% até o ano que vem, a a não ser que por um milagre as turbulencias internacionais no rastro da desaceleração da economia americana cheguem ao fim até dezembro.

 

Posted by Joao Arnolfo at 00:18:52 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, August 18, 2007

Brasil msotra reservas récordes de US$ 160 bilhões para enfrentar crise financeira internacional

A resposta do governo Lula aos especuladores que aproveitam para ganhar dinheiro com a crise internacional de crédito foi rápida: o Banco Central informou hoje (17) que as reservas brasileiras atingiram US$ 160 bilhões - o nível mais alto da história, mostrando que o país estaria preparado para a eventualidade de agravamento da crise financeira mundial.

Quando começou a crise externa devido à quebra do mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos, semana passada, as reservas brasileiras já estavam em pouco mais de US$ 158 bilhões - “quase US$ 100 bilhões de colchão de garantia”, disse um economista do Ministério da Fazenda.

Em Nova York o dia começou com uma surpresa, mostrando aos especuladores que o Federal Reserve (Banco Central americano) está disposto a agir para acalmar as bolsas: foram reduzidas em meio ponto percentual as taxas do redesconto, cobradas dos bancos comerciais para obter crédito do Fed no fechamento de posições  temporárias de iliquidez. As taxas cairam de 6,25% para 5,5%

“Vamos usar quantas vezes for preciso”, avisou o Fed. No Brasil já se usou muito isso, mas lá era algo quase esquecido, há 14 meses não se mexia na taxa de redesconto.

Agora o mercado espera que caiam também as taxas de juros básicos, similar à nossa taxa dos títulos públicos (selic) fixada regularmente nas reuniões do comitê de politica monetária do Banco Central (Copom).

A reunião do Fed para ver isso está marcada para dia 18, mas nada impede uma antecipação, se for preciso.

Tudo depende do tamanho do apetite do mercado.

O dólar no Brasil estabilizou-se no nível de R$ 2,025 e pode voltar ao nível de R$ 1,9 ou até de R$ 1,8 como esperavam os bancos para o final deste ano. Tudo depende da queda de braço nos próximos dias, semanas, meses. 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as variações no câmbio não afetam o crescimento da economia brasileira nem provocam pressão inflacionária.

Economistas conservadores como Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, prevêm um crescimento do PIB este ano pouco acima de 5%.

Ele não disse, mas certamente o pacote para blindar a economia, contra a crise internacional de crédito, passa pelo fortalecimento do balanço de pagamentos, com o acúmulo de mais reservas e dólar mais alto para estimular exportações e conter importações.

Assim como inclui maior preocupação com as contas nacionais do que os economistas do PT costumam ter - será preciso manter o superávit primário elevado e dar uma freada na tendência de queda na taxa básica de juros.

O Copom deve pelo menos deixar como está, interrompendo a sequência de quedas nas taxas, dependendo de como se comportam os mercados na próxima semana.

Se continuar a volatilidade que se viu ontem e hoje,  certamente o BC aumentará em pelo menos 0,25 pontos a taxa básica de juros, que regula as transações entre os bancos e se reflete sobre a oferta de crédito e os juros na ponta final do consumidor. 

Este tranco, segundo economistas do Ipea, é para avisar que há bala na agulha suficiente para desestimular os que especulam contra os fundamentos do capitalismo global. 

Posted by Joao Arnolfo at 04:09:39 | Permalink | Comments (1) »