Conferência do aquecimento global precisa virar noticia duradoura para pressionar governos a mudar políticas públicas
Enquanto o Greenpeace lança uma proposta de mercado para acabar com o desmatamento das florestas tropicais em sete anos, os participantes da conferência da ONU sobre aquecimento global na ilha de Bali, na Indonesia, constatam no quarto dia de reuniões e manifestações controladas que o problema do meio ambiente é sua dificuldade em permanecer na midia tempo suficiente para provocar mudanças de comportamento politico.
Meio ambiente virou editoria obrigatória ha tempos nas emissoras de tv, mas exceto nas catástrofes ambientais como enchentes e secas de grande impacto social perde sempre espaço no horario nobre para problemas imediatos na politica e na economia, como as ameaças republicanas nos Estados Unidos contra a bomba nuclear do Irã que ainda não existe - são avaliações de observadores presentes em Jacarta, buscando geopoliticamente as razões pelas quais o desmatamento das florestas da propria Indonesia correu o mundo pela CNN e despertou pautas em outras redes mas não conseguiu força para provocar reações nos parlamentos, por exemplo, de países diretamente interessados em conter as queimadas nas ultimas grandes areas florestais naturais, como é o caso da Amazônia.
-Todo mundo é contra mas o desmatamento continua solto - observou membro da delegação de organizações não-governamentais (ongs) que participaram da reunião do grupo de midias. Mesmo assim, o entendimento é que a denúncia da CNN teve o papel de colocar na pauta mundial do jornalismo a chata conferencia de tecnicos e diplomatas em torno de inúmeras mesas de trabalho, onde a lingua geral (ingles) aparece quase com tantos sotaques quantos os 190 paises que a ONU esperava neste encontro.
De todos, o trabalho com potencial de midia que saiu na terça-feira todo mundo ja conhece - mais uma vez foi da ong mais bem estruturada, que vive apenas de contribuicao individual e não aceita dinheiro de pessoa juridica nem faz projetos para levantar dinheiro público ou privado: o Greenpeace, tanto sua holding internacional com sede em Amsterdamm presidida hoje pelo alemão Gerard Leopold quanto suas ramificações nacionais como o Greenpeace Brasil, muito presente na Amazônia atraves do ambientalista Paulo Adario.
Veja aqui a proposta do Greenpeace para zerar o desmastamento de florestas tropicais em poucos anos, usando os mecanismos de mercado que controlam os comportamentos coletivos envolvidos no desmatamento e aproveitamento ilegal de madeira em todo o mundo.
A conferencia de Bali prossegue ate semana que vem, em busca de um entendimento para firmar até 2009 um tratado mundial com metas e procedimentos para reduzir as emissões de gases estufa que causam o aquecimento do clima no planeta todo. A novidade positiva é a atitude mais colaborativa dos delegados americanos, inspirados pela nova onda do presidente George Wallace Bush em sua ofensiva diplomatica com fins eleitorais internos.
Desmatamento zero, que seria a proposta final da ong, é algo que vem sendo proposto ha tempos por diversos setores no Brasil - a começar pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, hoje lider do Partido Verde no Congresso, autor da proposta de moratora florestal, que seria o inicio da arrumação da casa na Amazônia e no mercado brasileiro de madeira. Mas a proposta corre devagar na Câmara, sem interesse dos demais partidos devido ao grande numero de interesses eleitorais que afeta na região norte do país.
O problema é o mesmo da reunião da ONU na Indonesia: por mais ministros e especialistas acadêmicos que reune, não consegue que seus reflexos através da midia seja duradouros o suficiente para provocarem reações politicas nas sociedades nacionais, atraves de seus representantes que podem mudar politicas governamentais se houver pressão de opinião publica.
Tanto na Indonesia quanto no Brasil o problema persiste, as florestas tropicais continuam sendo queimadas e derrubadas para explroação ilegal da madeira pelo mercado mundial - enquanto todo consumidor de moveis, por exemplo, concorda que precisa zerar o desmatamento no mundo e certificar a madeira de uso correto.
So falta combinar com os russos, como diria Garrincha la de Pau Grande.

