Wednesday, December 5, 2007

Conferência do aquecimento global precisa virar noticia duradoura para pressionar governos a mudar políticas públicas

 

Enquanto o Greenpeace lança uma proposta de mercado para acabar com o desmatamento das florestas tropicais em sete anos, os participantes da conferência da ONU sobre aquecimento global na ilha de Bali, na Indonesia, constatam no quarto dia de reuniões e manifestações controladas que o problema do meio ambiente é sua dificuldade em permanecer na midia tempo suficiente para provocar mudanças de comportamento politico.

Meio ambiente virou editoria obrigatória ha tempos nas emissoras de tv, mas exceto nas catástrofes ambientais como enchentes e secas de grande impacto social perde sempre espaço no horario nobre para problemas imediatos na politica e na economia, como as ameaças republicanas nos Estados Unidos contra a bomba nuclear do Irã que ainda não existe - são avaliações de observadores presentes em Jacarta, buscando geopoliticamente as razões pelas quais o desmatamento das florestas da propria Indonesia correu o mundo pela CNN e despertou pautas em outras redes mas não conseguiu força para provocar reações nos parlamentos, por exemplo, de países diretamente interessados em conter as queimadas nas ultimas grandes areas florestais naturais, como é o caso da Amazônia.

-Todo mundo é contra mas o desmatamento continua solto - observou membro da delegação de organizações não-governamentais (ongs) que participaram da reunião do grupo de midias. Mesmo assim, o entendimento é que a denúncia da CNN teve o papel de colocar na pauta mundial do jornalismo a chata conferencia de tecnicos e diplomatas em torno de inúmeras mesas de trabalho, onde a lingua geral (ingles) aparece quase com tantos sotaques quantos os 190 paises que a ONU esperava neste encontro.

De todos, o trabalho com potencial de midia que saiu na terça-feira todo mundo ja conhece - mais uma vez foi da ong mais bem estruturada, que vive apenas de contribuicao individual e não aceita dinheiro de pessoa juridica nem faz projetos para levantar dinheiro público ou privado: o Greenpeace, tanto sua holding internacional com sede em Amsterdamm presidida hoje pelo alemão Gerard Leopold quanto suas ramificações nacionais como o Greenpeace Brasil, muito presente na Amazônia atraves do ambientalista Paulo Adario.

Veja aqui a proposta do Greenpeace para zerar o desmastamento de florestas tropicais em poucos anos, usando os mecanismos de mercado que controlam os comportamentos coletivos envolvidos no desmatamento e aproveitamento ilegal de madeira em todo o mundo.

A conferencia de Bali prossegue ate semana que vem, em busca de um entendimento para firmar até 2009 um tratado mundial com metas e procedimentos para reduzir as emissões de gases estufa que causam o aquecimento do clima no planeta todo. A novidade positiva é a atitude mais colaborativa dos delegados americanos, inspirados pela nova onda do presidente George Wallace Bush em sua ofensiva diplomatica com fins eleitorais internos.

Desmatamento zero, que seria a proposta final da ong, é algo que vem sendo proposto ha tempos por diversos setores no Brasil - a começar pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, hoje lider do Partido Verde no Congresso, autor da proposta de moratora florestal, que seria o inicio da arrumação da casa na Amazônia e no mercado brasileiro de madeira. Mas a proposta corre devagar na Câmara, sem interesse dos demais partidos devido ao grande numero de interesses eleitorais que afeta na região norte do país.

O problema é o mesmo da reunião da ONU na Indonesia: por mais ministros e especialistas acadêmicos que reune, não consegue que seus reflexos através da midia seja duradouros o suficiente para provocarem reações politicas nas sociedades nacionais, atraves de seus representantes que podem mudar politicas governamentais se houver pressão de opinião publica.

Tanto na Indonesia quanto no Brasil o problema persiste, as florestas tropicais continuam sendo queimadas e derrubadas para explroação ilegal da madeira pelo mercado mundial - enquanto todo consumidor de moveis, por exemplo, concorda que precisa zerar o desmatamento no mundo e certificar a madeira de uso correto.

So falta combinar com os russos, como diria Garrincha la de Pau Grande.

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Tuesday, December 4, 2007

Fidel deu a receita: etanol de milho cria crise inflacionária nos EUA e Brasil pode tirar proveito

A coisa mais importante para a vida dos brasileiros nesta terça-feira fria aqui no norte da Europa não vem da conferência anti-aquecimento global da ONU na Indonesia, que está disputando com o Brasil o trofeu de vilão das queimdas de florestas tropicais, mas sim do imperio do Norte.

Conversei com economistas da area de energia e colegas de jornal e realmente os preços de comida dispararam nos Estados Unidos como previa, imagine, o companheiro Fidel Castro em conversa com Hugo Chavez meses atrás.

Pelo menos foi o que me contou um embaixador bem informado do primeiro mundo, que não é americano, naturalmente (não gostam muito de amigos do Fernando Gabeira, muito menos de seguidores), ao comentar as vantagens comparativas que o Brasil tem pela frente agora, com a questão energetica.

Os preços de alimentos sobem nas groceries americanas porque aumentou demais a demanda por milho para produzir etanol por conta dos preços estratosféricos de energia, para padroes americanos de pobreza motorizada,  com o barril de óleo batendo em cem dolares semana passada.

Os economistas do establishment não estão muito preocupados porque, primeiro, esse negócio de agricultura sempre foi muito simples, está lá na função matemática da Teia de Aranha,  em qualquer manual de macroeconomia do setor primário.

Se tiverem sorte, e deus for americano, não haverá inflação nos Estados Unidos nestes meses seguintes, acima do normal - eu digo como economista ateu que haverá sim.

Quanto aos brasileiros, resta aproveitar o momento, recorrer às terras degradadas que podem muito bem ser aproveitadas comprando calcario, não detonar mais o meio ambiente porque o mundo civilizado está levando a sério este negocio de aquecimento global e vai impor uma meta mundial daqui a um ano ou dois, para que todos sigam por bem ou por mal.

Afinal, está em jogo a sobrevivência da humanidade, ou pelo menos da civilização como a conhecemos na Europa, Japão e Estados Unidos.

Se souber aproveitar, a economia brasileira poderá socorrer os EUA - quem não vai gostar será o companheiro Hugo Chgavez, mas Lula ajudará ou pelo menos a coligação PMDB-PT dará asilo daqui uns tempos - fornecendo a energia que querem sem o custo colateral do aumento de preços dos alimentos.

Quem cantou a receita, quando George Wallace Bush foi se entender com Luis Inacio, meses atrás, foi o comandante que querem matar de raiva antes do tempo, lá em Cuba.

PS - Isso faz lembrar uma piada capitalista dos anos 60, provavelmente espalhada pela CIA na Reader’s Digest, em que na reunião para montar o primeiro ministerio, apos descer de Sierra Maestra vitorioso,  o advogado Fidel Castro de Ruiz perguntou aos presentes se havia na sala algum economista, ao que teria respondido El Che, muy prontamente - Yo -, com sotaque portenho, claro, sendo então nomeado imediatamente ministro da Economia (ou de la Hacienda, que sé yo…). Ernesto Guevara aí sim protestou, acrescentando sem ser ouvido pela história: - Pero yo creia que querias vos a un comunista, aca estoy yo, pero soy medico, no economista, companheiro…  

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Tuesday, September 4, 2007

Fazenda estimula setor interno de hotelaria e turismo para gerar emprego e divisas internacionais

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta terça-feira (4) medidas de redução de tarifas de importação para produtos que, embora não sejam considerados bens de capital, funcionam como parte de complexos produtivos que se assemelham fábricas com suas máquinas, em termos econômicos.

É o caso dos hotéis, que o governo quer estimular como parte da exploração do potencial de turismo do país, tanto para gerar atividade interna (emprego e renda rapidamente) como para atrair turistas estrangeiros, principalmente americanos, que deixam dólares como se estivéssemos “exportando” natureza e beleza no caso do ecoturismo.

Os empreendimentos hoteleiros vão se beneficiar de mecanismos que lhes permitirão depreciar mais rapidamente o investimento, para efeito de tributação, disse o ministro da Fazenda à imprensa.

Isso tornará mais atrativo o investimento neste tipo de negócios e diminuirá o custo do empréstimo bancário para o empreendimento.

Na mesma linha, compondo o “pacote turismo” de Mantega, foram reduzidas alíquotas de importação de bens como fechaduras eletrônicas, sensores, torneiras que consomem menos água e outros produtos que são usados tanto em complexos de resorts quanto em pousadas simples, com a vantagem de serem quase todos de caráter conservativo em matéria energética, com selo ecológico (como no caso de válvulas de descarga econômicas).

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, trabalha em sintonia com o Ministério da Fazenda, dentro do plano mais amplo do governo Lula de estimular - com a ajuda da Petrobras e outras empresas de grande porte - o mercado interno, inclusive para fortalecer a economia diante de crises externas do capitalismo globalizado.

Junto com sua colega do Meio Ambiente, Marina Silva, a ministra do Turismo vem dando atenção especial ao segmento do ecoturismo, por seu potencial de crescimento entre a população mais velha de todo o mundo, que ja tem poder aquisitivo e tempo disponível e, também, pelo potencial de educação e geração de emprego no interior para a juventude.

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Friday, August 31, 2007

Ajuda ao setor imobiliario e fala do Fed acalmam mercado e bolsas sobem

Bolsas abrem comotimismo no Brasil, seguindo Estados Unidos, onde se espera para daqui a pouco a fala do presidente do  Federal Reserve sobre a política monetária a ser seguida para enfrentar a crise do crédito imobiliário.

O presidente George Bush deve anunciar também medidas de apoio ao setor imobiliário como um todo.

Isto mostra que as autoridades econômicas americanas já sabem que a crise é apenas do sistema financeiro baseado no setor imobiliário da economia doméstica.

O resto da economia dos Estados Unidos está indo bem.

Como dissemos desde o inicio, ainda entendemos que o Fed não vai fazer cortes na taxa báscia de juros - pelo menos antes de 18.

E também na reunião do dia, vai depende do que acontecer nestes primeiros quinze dias do mês, começando segunda-feira.

Mas apostamos que o Fed vai sinalizar mantendo os juros onde estão (5,25%) ou promovendo uma queda única de 0,25%.

Contra isto existe uma coisa que autoridade monetária leva em conta: a pressão do mercado para forçar o governo americano a derrubar juros pode funcionar ao contrario e o Fed segurar, não fazer nada dia 18 e divultar uma ata didática algum tempo depois, de modo a avaliar o impacto sobre o setor real da economia americana e mundial.

Enquanto isso está havendo um saudável ajuste global, a começar pela percepção de que agora existe internet, blog, mercado financeiro global garantido pelos satélites americanos, europeus e asiáticos.

Só os dissidentes árabes não dispõem de satélites próprios, mem de mercados globalizados - por isso, estão fadados a perder o curso da história, que caminha para a frente.

Adiante é o capitalismo global, ainda que agora ligeiramente menos financeirizado porque teria aprendido com a crise financeira atual, que pode virar crise de liquidez - e aí sim, contamir o setor real da economia.

Mas antes disso lembre-se que além das maiores forças armadas do globo, o impérdio dispõe também do controle total sobre os sitemas financeiros mundiais, sem uma única exceção.

E Bush não é Lula, naturalmente.

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Saturday, August 18, 2007

Brasil msotra reservas récordes de US$ 160 bilhões para enfrentar crise financeira internacional

A resposta do governo Lula aos especuladores que aproveitam para ganhar dinheiro com a crise internacional de crédito foi rápida: o Banco Central informou hoje (17) que as reservas brasileiras atingiram US$ 160 bilhões - o nível mais alto da história, mostrando que o país estaria preparado para a eventualidade de agravamento da crise financeira mundial.

Quando começou a crise externa devido à quebra do mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos, semana passada, as reservas brasileiras já estavam em pouco mais de US$ 158 bilhões - “quase US$ 100 bilhões de colchão de garantia”, disse um economista do Ministério da Fazenda.

Em Nova York o dia começou com uma surpresa, mostrando aos especuladores que o Federal Reserve (Banco Central americano) está disposto a agir para acalmar as bolsas: foram reduzidas em meio ponto percentual as taxas do redesconto, cobradas dos bancos comerciais para obter crédito do Fed no fechamento de posições  temporárias de iliquidez. As taxas cairam de 6,25% para 5,5%

“Vamos usar quantas vezes for preciso”, avisou o Fed. No Brasil já se usou muito isso, mas lá era algo quase esquecido, há 14 meses não se mexia na taxa de redesconto.

Agora o mercado espera que caiam também as taxas de juros básicos, similar à nossa taxa dos títulos públicos (selic) fixada regularmente nas reuniões do comitê de politica monetária do Banco Central (Copom).

A reunião do Fed para ver isso está marcada para dia 18, mas nada impede uma antecipação, se for preciso.

Tudo depende do tamanho do apetite do mercado.

O dólar no Brasil estabilizou-se no nível de R$ 2,025 e pode voltar ao nível de R$ 1,9 ou até de R$ 1,8 como esperavam os bancos para o final deste ano. Tudo depende da queda de braço nos próximos dias, semanas, meses. 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as variações no câmbio não afetam o crescimento da economia brasileira nem provocam pressão inflacionária.

Economistas conservadores como Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, prevêm um crescimento do PIB este ano pouco acima de 5%.

Ele não disse, mas certamente o pacote para blindar a economia, contra a crise internacional de crédito, passa pelo fortalecimento do balanço de pagamentos, com o acúmulo de mais reservas e dólar mais alto para estimular exportações e conter importações.

Assim como inclui maior preocupação com as contas nacionais do que os economistas do PT costumam ter - será preciso manter o superávit primário elevado e dar uma freada na tendência de queda na taxa básica de juros.

O Copom deve pelo menos deixar como está, interrompendo a sequência de quedas nas taxas, dependendo de como se comportam os mercados na próxima semana.

Se continuar a volatilidade que se viu ontem e hoje,  certamente o BC aumentará em pelo menos 0,25 pontos a taxa básica de juros, que regula as transações entre os bancos e se reflete sobre a oferta de crédito e os juros na ponta final do consumidor. 

Este tranco, segundo economistas do Ipea, é para avisar que há bala na agulha suficiente para desestimular os que especulam contra os fundamentos do capitalismo global. 

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Saturday, July 28, 2007

Serra apresenta a Jobim proposta de trem rápido de R$ 3,4 bi entre aeroportos de Congonhas e Guarulhos

O governador José Serra (PSDB), de São Paulo, quer promover uma Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar a construção de trem expresso da capital paulista até o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos(SP).

A proposta parece ter recebido a aprovação de Jobim dentro do esquema de investimentos que vai acertar neste sábado em Brasília com a área econômica do governo.

No total, significaria investimentos de R$ 3,4 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão provenientes do governo estadual, R$ 580 milhões da União R$ 1,32 bilhão de empresas privadas.

O estudo da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos apresentado a Jobim garante que  o sistema ficaria pronto em 2010, ano de eleição geral.

 Serra quer também fazer uma pista expressa ligando a Rodovia dos Bandeirantes ao aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Para o futuro, ele propõe que essa pista seja prolongada até a cidade de São Paulo, em paralelo à Rodovia dos Bandeirantes.

Em resumo, o pacote propõe:

* construir um trem-expresso, no valor de R$ 3,4 bilhões, para ligar Guarulhos a Congonhas, no centro da capital paulista.

* apressar investimentos para colocar em funcionamento a terceira pista do aeroporto de Guarulhos;

* aumentar os investimentos no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP); e

Faltou tratarem da delicada - politicamente falando - questão da ocupação desordenada do solo que já compromete o aeroporto de Guarulhos, no município da Grande São Paulo, assim como comprometeu Congonhas no passado e outros aeroportos no interior deste país da grilagem de terras.

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Thursday, July 26, 2007

Novo ministro da Defesa assume com força no Congresso

Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo, assume de surpresa o Ministério da Defesa com a missaão de acabar com a crise do setor aéreo brasileiro, onde morreram quase 400 pessoas em dois acidentes em oito meses.

Jobim tem forte apoio no Congresso, a começar pelo PMDB na Comissão do Apagão Aéreo - mas o resto da oposição desconfia que não basta força política.

O bom sinal é que Lula parece ter ouvido os conselhos: a chave da crise está no bolso do ministro da Fazenda, no bastão de comando do ministro da Defesa (quando existe) e gerenciamento na Casa Civil, que parece ser o único lugar com alguma racionalidade ali no Planalto.

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