Tuesday, December 4, 2007

Fidel deu a receita: etanol de milho cria crise inflacionária nos EUA e Brasil pode tirar proveito

A coisa mais importante para a vida dos brasileiros nesta terça-feira fria aqui no norte da Europa não vem da conferência anti-aquecimento global da ONU na Indonesia, que está disputando com o Brasil o trofeu de vilão das queimdas de florestas tropicais, mas sim do imperio do Norte.

Conversei com economistas da area de energia e colegas de jornal e realmente os preços de comida dispararam nos Estados Unidos como previa, imagine, o companheiro Fidel Castro em conversa com Hugo Chavez meses atrás.

Pelo menos foi o que me contou um embaixador bem informado do primeiro mundo, que não é americano, naturalmente (não gostam muito de amigos do Fernando Gabeira, muito menos de seguidores), ao comentar as vantagens comparativas que o Brasil tem pela frente agora, com a questão energetica.

Os preços de alimentos sobem nas groceries americanas porque aumentou demais a demanda por milho para produzir etanol por conta dos preços estratosféricos de energia, para padroes americanos de pobreza motorizada,  com o barril de óleo batendo em cem dolares semana passada.

Os economistas do establishment não estão muito preocupados porque, primeiro, esse negócio de agricultura sempre foi muito simples, está lá na função matemática da Teia de Aranha,  em qualquer manual de macroeconomia do setor primário.

Se tiverem sorte, e deus for americano, não haverá inflação nos Estados Unidos nestes meses seguintes, acima do normal - eu digo como economista ateu que haverá sim.

Quanto aos brasileiros, resta aproveitar o momento, recorrer às terras degradadas que podem muito bem ser aproveitadas comprando calcario, não detonar mais o meio ambiente porque o mundo civilizado está levando a sério este negocio de aquecimento global e vai impor uma meta mundial daqui a um ano ou dois, para que todos sigam por bem ou por mal.

Afinal, está em jogo a sobrevivência da humanidade, ou pelo menos da civilização como a conhecemos na Europa, Japão e Estados Unidos.

Se souber aproveitar, a economia brasileira poderá socorrer os EUA - quem não vai gostar será o companheiro Hugo Chgavez, mas Lula ajudará ou pelo menos a coligação PMDB-PT dará asilo daqui uns tempos - fornecendo a energia que querem sem o custo colateral do aumento de preços dos alimentos.

Quem cantou a receita, quando George Wallace Bush foi se entender com Luis Inacio, meses atrás, foi o comandante que querem matar de raiva antes do tempo, lá em Cuba.

PS - Isso faz lembrar uma piada capitalista dos anos 60, provavelmente espalhada pela CIA na Reader’s Digest, em que na reunião para montar o primeiro ministerio, apos descer de Sierra Maestra vitorioso,  o advogado Fidel Castro de Ruiz perguntou aos presentes se havia na sala algum economista, ao que teria respondido El Che, muy prontamente - Yo -, com sotaque portenho, claro, sendo então nomeado imediatamente ministro da Economia (ou de la Hacienda, que sé yo…). Ernesto Guevara aí sim protestou, acrescentando sem ser ouvido pela história: - Pero yo creia que querias vos a un comunista, aca estoy yo, pero soy medico, no economista, companheiro…  

Posted by Joao Arnolfo in 13:57:18
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