Wednesday, August 15, 2007

Dólar passa novamente a barreira dos dois reais, bolsas caem em todo o mundo - mas Lula acha que estamos bem

A crise financeira internacional pegou forte hoje no mundo todo, com baixas nas bolsas do mundo todo, seguindo as noticias de problemas com o mercado imobiliario americano.

O Ferderal Reserve, o banco central americano, injetou mais US$ 7 milhões no mercado para socorrer o sistema financeiro afetado pela queda na compra de casas e maior inadimplência entre os consumidores. 

No Brasil a bolsa caiu quase 4%, todo mundo vendendo ações com medo do que vem por aí - e comprando posições em dólar, embora o centro do problema esteja nos Estados Unidos desta vez.

Como este economista havia previsto semana passada, no Brasil o dólar voltou a ultrapassar a barreira psicológica de 2 reais.

No início da crise estava em 1,8 por dólar, foi a 1,9 e hoje chegou a 2,03. Em maio do ano passado estava em 2,04. Quanto mais tempo este dolar ficar elevado, vai haver reflexo na inflação.

É possível que a economia brasileira admita o dólar até 2,30 no final do ano, sem maiores problemas (até com vantagens para o balanço de pagamentos, que agora precisa ficar gordo com reservas superiores aos atuais US$ 158 bilhões).

Acima disso haverá pressão inflacionária e o governo terá que pisar no freio do crédito e da moeda, bem como cortar gastos, fazer mais ajuste fiscal que ficou faltando na época de Pedro Malan.

O presidente Lula diz o que aconteceu nesta quarta-feira no Brasil foi só reflexo do tumulto internacional do mercado financeiro, sem impactos maiores sobre a economia brasileira, que agora tem a vantagem comparativa do biodiesel.

No congresso a crise já é percebida como a maior do capitalismo internetizado. O ex-ministro Antonio Palocci, deputado pelo PT de São Paulo, acha que a crise mundial tende a se agravar, com quebradeiras de instituições nos Estados Unidos, mas “não afetará muito o Brasil”.

Ele concorda que podemos i ter que interromper a tendência de queda dos juros básicos.

Assim como o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, Palocci, o PT e Lula acreditam que os fundamentos da economia brasileira estão tão bons que a crise financeira mundial não vai atrapalhar muito os planos de crescimento e sucessão política com o ministro Nelson Jobim, da Justiça, do PMDB gaúcho.

A tendência declinante dos juros será vista na proxima reunião do Copom, informou uma fonte do Banco Central.

O Planejamento já pisou no freio dos gastos.

-Vamos ver como fica para ver o que fazer com propostas fora de hora, como aumentar despesas com incorporação de 200 mil funcionários sem concurso no “trem da alegria” do Legislativo - disse um economista do governo.

Este ano está garantido, segundo o Ministério da Fazenda, o crescimento récorde dos ultimos tempos - algo entre 4 e 4,5%, mesmo porque ainda estamos em agosto e o Brasil vem atraindo mais investimentos diretos.

É bom mesmo que estes investimentos venham, pois os capitais de risco já estão fugindo das bolsas brasileiras e de outros emergentes.

Para piorar, voltou a subir hoje o risco Brasil, embora ainda abaixo de 200 pontos.

Alcançar o “investment grade” agora ficou mais distante - é preciso mostrar firmeza na crise, arrumar as instituições políticas em frangalhos e transmitir segurança aos investidores externos.

Afinal, trata-se da primeira crise mundial do capitalismo globalizado - e financeirizado em excesso.

Posted by Joao Arnolfo at 21:49:03 | Permalink | No Comments »